Aço inox 304 ou 316: composição, resistência, corrosão e quando usar cada um

Como o inox 304 (1.4301) e o 316 (1.4401/1.4404) diferem em composição, PREN, resistência e resistência aos cloretos, o que significam as classes L e a fixação A2/A4, e qual escolher.

Atualizado em 17 de outubro de 2026

O 304 e o 316 são os dois aços inoxidáveis mais usados. Ambos são austeníticos ao crómio-níquel e soldam-se e conformam-se bem; a diferença é cerca de 2% de molibdénio no 316, que o torna muito mais resistente aos cloretos da água do mar, do sal de degelo e de muitos produtos químicos. Este guia compara composição, resistência e comportamento à corrosão e mostra quando compensa o custo adicional do 316.

Designações em cada sistema

Nome comumNúmero ENDesignação ENClasse de fixação
3041.4301X5CrNi18-10A2
304L1.4307X2CrNi18-9A2
3161.4401X5CrNiMo17-12-2A4
316L1.4404X2CrNiMo17-12-2A4

Composição química

Limites segundo a EN 10088-2, % em massa
ClasseC máxCrNiMo
1.4301 (304)0,0717,5–19,58,0–10,5—
1.4307 (304L)0,03017,5–19,58,0–10,5—
1.4401 (316)0,0716,5–18,510,0–13,02,0–2,5
1.4404 (316L)0,03016,5–18,510,0–13,02,0–2,5

O molibdénio do 316 explica tudo: reforça a camada passiva contra o ataque dos iões cloreto. Uma forma habitual de comparar é o índice de picadas PREN = %Cr + 3,3 × %Mo + 16 × %N: cerca de 19 para um 304 típico e cerca de 24 para um 316 típico. Um PREN mais alto significa melhor resistência à corrosão por picadas e em frestas.

Resistência e propriedades físicas

Banda laminada a frio segundo a EN 10088-2, valores mínimos
ClasseRp0.2 mín (MPa)Rm (MPa)Extensão após rotura mín (%)
1.4301 (304)230540–75045
1.4404 (316L)240530–68040
  • A resistência é praticamente igual, pelo que trocar 304 por 316 raramente altera um dimensionamento.
  • Densidade: cerca de 7,9 kg/dm³ para o 304 e 8,0 kg/dm³ para o 316, por isso os pesos por metro são quase idênticos.
  • Ambos são não magnéticos no estado recozido e podem ficar ligeiramente magnéticos após deformação a frio, como quinagem ou trefilagem.

Resistência à corrosão: onde o 316 faz a diferença

  • 304 — interiores, equipamento alimentar e de cozinha, elementos arquitetónicos em atmosfera urbana e rural, água à temperatura normal com pouco cloreto.
  • 316 — atmosferas costeiras e marinhas, zonas de salpico, estruturas expostas ao sal de degelo, envolventes de piscinas, alimentos salgados e salmouras, instalações químicas e farmacêuticas.
  • Nenhuma das duas classes serve para todos os meios com cloretos: água do mar quente e estagnada ou ácidos concentrados também atacam o 316. Nesses casos é preciso um duplex ou uma classe mais ligada, com o parecer de um especialista em corrosão.

304L e 316L: quando usar as classes de baixo carbono

As classes L limitam o carbono a 0,030%. Na soldadura, um teor de carbono normal pode formar carbonetos de crómio nos limites de grão junto à soldadura (sensibilização), deixando essas zonas expostas à corrosão intergranular. O baixo carbono evita-o, por isso 304L e 316L são preferidos para peças soldadas, sobretudo em espessuras maiores. A sua resistência é ligeiramente inferior, e muitas siderurgias certificam como dupla classe, por exemplo 316/316L, cumprindo os dois limites.

Fixação inox A2 e A4

Na fixação inox segundo a ISO 3506, A2 corresponde ao 304 e A4 ao 316. O número após o hífen é a classe de resistência: A2-70 e A4-70 têm uma resistência à tração mínima de 700 MPa. Use fixação A4 em estruturas de 316 e em ambientes marinhos ou salinos, para que os parafusos não sejam o ponto fraco.

Como escolher

  • Interiores, ambiente seco ou exterior pouco exposto: o 304 é a escolha económica.
  • A poucos quilómetros do mar, em contacto com sal, água clorada ou químicos: o 316.
  • Conjuntos soldados: a versão L (304L ou 316L).
  • Peças torneadas em grandes séries: o 303 de maquinagem fácil maquina-se muito mais depressa, à custa de menor resistência à corrosão e soldabilidade.
  • O 316 custa bastante mais do que o 304, por causa do molibdénio e do maior teor de níquel. Use-o onde o ambiente o exige, não por defeito.

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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre o inox 304 e o 316?

O 316 contém cerca de 2–2,5% de molibdénio e um pouco mais de níquel. Isso dá-lhe uma resistência muito maior aos cloretos, como a água do mar, a névoa salina e o sal de degelo. Resistência, soldabilidade e aspeto são praticamente iguais.

O 316 é mais resistente do que o 304?

Não de forma significativa. Os valores mínimos de cedência e rotura diferem apenas alguns por cento; o 316 escolhe-se pela resistência à corrosão, não pela resistência mecânica.

Consigo distinguir o 304 do 316 com um íman?

Não. Ambos são não magnéticos no estado recozido e ambos podem ficar ligeiramente magnéticos após deformação a frio. Só uma análise química, ou um certificado de material, mostra o molibdénio que identifica o 316.

O que significam A2 e A4 nos parafusos inox?

A2 é o equivalente do 304 e A4 do 316, segundo a ISO 3506. Os parafusos A2-70 e A4-70 têm uma resistência à tração mínima de 700 MPa.

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